terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Eu quero quebrar essas xícaras




Eu quero voltar no tempo e entrar na sua casa. Pegar minhas roupas, meus livros, o bilhete que eu deixei debaixo das suas coisas, os DVDs aos quais assistimos juntos, os beijos que eu te dei, as piadas que eu contei e que te fizeram rir, e o teu próprio riso que, de certa forma, eram meus.

Eu quero matar seus peixes e insultar seus amigos. Destruir seus móveis e seu ego. Rasgar seus lençóis e nossos retratos. Queimar seus traços e suas bordas. Assombrar seu quarto e seus sonhos. Esvaziar suas garrafas e suas lágrimas. Eu quero desmontar seus jogos e argumentos.

Eu quero escrever um livro que fale mal de você, em que você morre no final e ninguém chora, que ninguém compra, que não faz sucesso. Eu quero gritar na sua secretária eletrônica. Eu quero desmatar teu jardim e desorganizar a sua mesa do trabalho.

Tudo que foi delicado e nosso, eu quero despedaçado, morto, sepultado, amaldiçoado.

O nosso fim foi o fim do meu sono, assim como foi o fim da minha paciência. Foi o epílogo de uma história pesada. Foi o limite das minhas forças.

O nosso fim foi o fim de tudo.
Menos do meu amor.

Eu quero entrar no seu quarto e quebrar o meu amor.

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