domingo, 23 de fevereiro de 2014

Áspero

"Esse corpo tá doente". É o corpo, Elena?
Um nó que não desfaz, e lá, na garganta bem atrás de onde se alcança.
Ai, e cansa! Pesa os ombros, força o ar. Lembra um par de algemas, mas onde estão? A visão resta prejudicada, cega ou dissimulada me impedindo a claridade. É verdade abstrata, mentira inata, ouro de lata, realidade chata.
São muitos embaraços no cabelo e o espelho não me revela. Quem vela pelos corpos que ainda não morreram? Desceram a lama, pés exaustos, descalços e desperdiçados. Destinados a nada, piada de vida. Viagem de ida, sem remorso, um peso, uma medida.

Nenhum comentário: